Tiririca estava enganado

Dizia a propaganda do Tiririca que pior que está não fica. “Sabe de nada, inocente”, diria o Compadre Washington, de É o Tchan. No Congresso Nacional, vale a Lei de Murphy: tudo que pode dar errado dará, e da pior maneira possível. Deputados negociando cargos com o atual governo, ao mesmo tempo em que conversam com o possível futuro governo; traições que serão esquecidas momentos depois, qualquer que seja o lado vitorioso, pois ambos precisarão dos votos dos negociantes “em nome da estabilidade”.

Pode parecer pessimismo, mas é isso que está ocorrendo em Brasília, e não precisa ter bola de cristal para saber o que virá depois de domingo. Com aliados como Eduardo Cunha e Romero Jucá, Michel Temer estará na mesma situação de Dilma Rousseff, caso o impeachment passe. Teria o alívio da mídia e o apoio de entidades empresariais. Provavelmente, como em um time de futebol que muda de técnico, conseguirá emplacar três ou quatro vitórias para, logo em seguida, os problemas se avolumarem, pois o time e o clube não mudarão. Se tentar emplacar seu programa de ponte para o passado, Temer verá seu desgaste alcançar o de Dilma antes do final do ano.

Se o impeachment for barrado, a pressão sobre o governo não cessará. Caberia à presidente tentar virar o jogo, defenestrando o golpe que deu em si própria e mudando a linha de atuação, a começar pela política econômica. Como esta coluna já escreveu mais de uma vez, nenhum governo sobrevive a dois anos seguidos de profunda recessão, ainda mais caminhando para um terceiro que – prevê o FMI – será de estagnação.

Acima do bem e do mal

O juiz Sérgio Moro assumiu o caráter de sábio que defende a atuação da justiça para impedir a perpetuação no poder de políticos corruptos. A ideia pode ter adeptos, mas tem um problema de nascença: não rima com democracia. Neste sistema, infelizmente ou felizmente, ganha quem tem mais votos na urna. À justiça, compete o papel de julgar quem violar a lei.

Vítimas

Elisabel Benozatti, da Assessoria de Comunicação do Opportunity, enviou esclarecimento à coluna sobre a nota “Estado policial”, publicada ontem, que citava Daniel Dantas e a Satiagraha. “O Opportunity e seus executivos foram vítimas das operações Chacal e Satiagraha, encomendadas para atender interesses privados. As ilegalidades verificadas não foram fruto do acaso, mas produto de mobilização indevida do aparato estatal acionado por concorrentes do Opportunity”, denuncia a instituição financeira.

Deflagradas, atingiram o objetivo: a tomada das empresas de telecomunicações dos fundos geridos pelo Opportunity – que eram líderes em suas áreas de atuação e sólidas financeiramente. A política foi trazida à cena na Satiagraha pelo então delegado Protógenes Queiroz, comandante da operação. Ele assegurou, em entrevistas à imprensa, que a Satiagraha, ‘desdobramento da Chacal’, era ‘uma missão presidencial’ e ‘de interesse do Palácio do Planalto’ e, por isso, pôde dispor de recursos humanos e financeiros em larga escala, afirmação confirmada em depoimentos à Justiça. Tratou-se, portanto, de operação atípica o que pode ser constatado com provas documentais”, prossegue o Opportunity.

A nota da coluna comparava a forma como Gilmar Mendes classificou a Satiagraha, na ocasião, e a atual Operação Lava Jato.

Jogo pesado

O deputado Aliel Machado (Rede-PR) disse ao blog Caixa Zero, de Rogério Galindo, na Gazeta do Povo, que foi procurado por pessoas ligadas a Michel Temer que perguntaram “o que ele queria, do que precisava”. O presidente da Câmara, Eduardo Cunha, teria dito que ele nem andaria mais em Ponta Grossa. “Talvez nem deputado eu volte a ser. Mas estou tranquilo, sou jovem, posso trabalhar em outra área. Mas nunca tinha sentido muita tristeza, dias antes da votação. Porque eu tentava arranjar justificativa para votar a favor e não conseguia”, comentou Machado, que votou, na comissão, contra o impeachment.

Imprensa e regulamentação

A advogada e professora de Direito da USP Janaina Paschoal, que assina o pedido de impeachment de Dilma junto com Miguel Reale Júnior, orienta Maicon Guedes na sua tese de doutorado “Imprensa e necessidade de regulamentação”, que teve início em 2011.

Rápidas

No próximo dia 28, às 10h, Osvaldo Nobre faz palestra no Clube da Aeronáutica, no Rio de Janeiro, sobre “O pré-sal e a Petrobras” *** O ministro do Desenvolvimento, Armando Monteiro, e o presidente do BNDES, Luciano Coutinho, apresentam nesta quinta-feira a ampliação e a melhoria das condições de linhas de crédito voltadas ao financiamento da produção interna de bens destinados à exportação *** Rubens Teixeira faz seminário “Avançando em meio à crise”, dia 30. Inscrições: (21) 2121-1212 *** “Tributação sobre Energia Elétrica” é tema de curso de 25 a 28 de abril no Ibef-Rio. Mais informações:(21) 2217-5566 *** São Paulo vai ganhar o Festival Árabe na Rua Oriente. A primeira edição acontece nos dias 23 e 24, e se repetira´todo os sábados e domingos de 2016. A rua fica no Brás (Zona Leste). Mais informações: www.festivalarabe.com.br

Marcos de Oliveira
Diretor de Redação do Monitor Mercantil

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