Caudatários

Caudatários
Historicamente subalterna a sua congênere estadunidense, a imprensa tupiniquim conseguiu superar-se. Decidiu tratar um dos principais símbolos da confraternização entre os povos – a camisa da seleção brasileira, entregue pelo ministro do Desenvolvimento, Miguel Jorge, ao presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad – como um fato negativo, uma espécie de provocação à comunidade internacional, nome coletivo nesses meios para os interesses dos Estados Unidos. Para esse tipo de escribas, notícia positiva é defender um país, que, tendo sido o único a usar bombas atômicos contra seres humanos, arvora-se o direito de definir quem pode ou não desenvolver energia nuclear. Ou seja, entre a amarelinha e as bombas, essa imprensa fica com as estas.

“Ditabranda”, versão 2010
Sem ter recebido procuração da ex-ministra Dilma Rousseff, nem de ex-exilados, esta coluna não pode se furtar a comentar a falsa polêmica em que a pré-candidata do PT teria alfinetado o ex-governador José Serra e, de quebra, atingido todos que foram obrigados a deixar o país para fugir da repressão na ditadura militar.
Dilma nega a frase (“Eu não fugi da luta e não deixei o Brasil”), e, pela trajetória dela, fica difícil não acreditar na palavra da ex-ministra, ao menos, neste caso. Ainda mais porque a suposta frase foi publicada inicialmente na Folha de S.Paulo, jornal cujas ligações com os setores militares mais retrógrados ainda não foi suficientemente esclarecida. E que, ano passado, em editorial à guisa de atacar Hugo Chávez, asseverou que o menor número de mortos e torturados pela ditadura brasileira a transformavam o regime brasileiro, na ótica do jornal, em “ditabranda”. Diante da repercussão da defesa envergonhada da ditadura, o jornal ensaiou recuo igualmente constrangido, mas a alma já fora exposta.
Dilma e Folha, portanto, estiveram e ainda estão em campos opostos. Dilma falou que “não foge da luta” – e, ainda que possam ser feitas críticas a uma ou outra posição por ela assumida, não há como deixar de ver que ela esteve e continua no campo progressista. Já a Folha…

Gostam é de lavar roupa suja
Os meios de comunicação reclamam, antes e durante as campanhas, que os candidatos não são programáticos, não expõem claramente suas idéias sobre os problemas do país e sobre o que pretendem fazer. Mas as coberturas das campanhas não tratam nem destacam o que criticam. A análise consta de livro de Kathleen Jamieson, pesquisadora estadunidense especialista em Comunicação, citada pelo ex-prefeito e aspirante a analista político Cesar Maia.
Análise da especialista das campanhas presidenciais nos Estados Unidos desde Kennedy a Clinton mostrou que os comerciais na TV mais eficientes e que geram maior adesão e memória são os de “contraste”, nos quais um candidato, ao explicitar uma posição sobre um tema, diz que o adversário pensa o contrário. Depois vêm os comerciais negativos, nos quais se ataca o adversário. Kathleen diz que o comercial negativo gera uma reação no momento em que é visto, mas o efeito passa e a memória fica. Finalmente, o comercial defensivo, quando um político exalta o que fez. Esses são os que menos permanecem na memória dos eleitores.

Raio X
Mercado em franca expansão, a radiologia terá formação específica no curso Especialização em Ciências Radiológicas, que o grupo Anglo-Americano realizará, em parceria com a Máster Cursos, no próximo dia 27. Voltado para tecnólogos em radiologia, médicos veterinários e dentistas, as aulas acontecerão quinzenalmente, aos sábados, na Barra da Tijuca (Rio de Janeiro). A duração é de 15 meses.

Capitalismo
A transformação do SCPC da Associação Comercial de São Paulo em empresa privada, e lucrativa, parece seguir o mesmo modelo da Bolsa de Valores (Bovespa): após mais de um século de isenção de tributos, os associados colocam ações no mercado, “criam” uma forte empresa e embolsam bela quantia.

Feliz ano velho
O Correios se superou desta vez. A Redação do MM recebeu nesta quarta-feira cartão da Fecomercio-SP com votos de… Boas Festas e Feliz 2010! Para não correr o mesmo risco, a equipe prefere retribuir os votos através desta nota.

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Marcos de Oliveira
Diretor de Redação do Monitor Mercantil

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